/ COMPORTAMENTO

Estou de volta Brasil e nada como um post sobre relacionamento para esquentar nosso 2017. Mas não intérprete mal, vou esquentar o coração de vocês compartilhando um cadinho da minha intimidade aqui por que sinto que eu e você leitora(o) somos grandes amigos já.  Eu e Molico completamos 24 meses de namoro no dia 12 de Janeiro, mas estava na Itália então pela segunda vez (é gente nunca comemoramos aniversários juntos) passamos longe. Quando cheguei no dia 15 para minha surpresa lá estava ele cheio de balões de gás em forma de coração (e não flores) me esperando no aeroporto, coisa mais linda.

 

Chegando e casa tinha ainda algumas singelas e maravilhosas surpresas, café com pão de queijo e requeijão (a base da minha vida), recadinhos, fotos e claro um espelho rabiscado de batom. Foi muito engraçado que a primeira coisa que ele disse quando reparei o detalhe foi “Espero não ter usado um batom caro!”, não sabia se ria ou chorava, mas só conseguia ser grata por aquele momento e aquele boymagia e aquele relacionamento que sempre sonhei.

 

Sagan disse “Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você”. Só consigo pensar que é muita sorte minha ter alguém do meu ladinho assim, empenhado em me fazer feliz, me incentivando a todo instante e apoiando minhas loucuras e sonhos.

 

Mas não queria terminar esse post como uma declaração de amor sem nada a acrescentar para meu leitor. Queria dizer pra você ai do outro lado da tela de forma bem clara e sucinta, que tudo bem expor sentimentos, que amor não é competição de quem demonstra menos de quem é mais forte e menos submisso. Amor é zelo é carinho e compaixão e se você não dizer coração não tem GPS para adivinhar! Relacionamento é construído com base na comunicação, então não tenha medo de falar e gritar. Você não é “a carente doida” você é uma pessoa maravilhosa muito bem resolvida. Demonstre, a todo instante, a gente não sabe o dia de amanhã, então aproveita para valorizar quem tem do lado e te faz feliz. Expor é reconhecer que tudo vale a pena.  Não precisamos complicar um sentimento que quanto mais simples mais gostosinho é. Não implore afeto mas não espere receber pra dar. Vamos dar, distribuir que é muito bom mesmo.

 

Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.

Existe uma urgência invisível que nos influência a comprar por prazeres volúveis. Sempre falo sobre slow fashion e consumo consciente, mas é que algumas vezes eu falho, peco real. Na pratica a coisa é mais complicada, nem sempre encontramos tudo no brecho, nem sempre podemos garimpar nos brechós, nem sempre e tudo bem. A vida precisa de equilíbrio e eu to em busca de encontrar o meu!

Parece que existe uma urgência em ter tudo, encontrar o must-have da estação postar no instagram e Deus me livre repetir o look. Esta tudo muito rápido, a informação o produto e o ato. Vemos, compramos, usamos e esquecemos. Esse ciclo é o impacto da nossa sociedade eufórica por novidades e cada vez mais impulsiva, e isso vale para coisas muito além, nossas relações interpessoais estão nesse ritmo frenético. Nos conhecemos, conversamos dois dias alucinadamente, ficamos e bye bye. Não to aqui pra julgar, não sou ninguém para isso, to aqui pra entender, reconhecer e melhorar, me aprofundar nisso e desapegar desse vicio por que assim como você ai do outro lado eu falho.

Conte até 10 e respire fundo, vamos refletir, alem da moda vamos dar um pause por vida mais devagarzinho. Hoje entendo a urgência de não ter urgências nesse sentido. A minha prioridade é meu bem estar sem pressa sem atropelar cada passo.
Consumir consciente não é só entender de onde vem o produto, mas é ter consciência do impacto que minha compra vai gerar. Imagina se todo mundo resolve não comprar mais nada? A economia para! Não precisamos ser radicais. Vamos consumir e nos sentir lindas, vamos encontrar marcas independentes, vamos procurar aquela dona que costura na esquina de casa, marcas onde mulheres gerenciam, alem de ajudar o comercio local ajudamos mulheres que buscam um lugar no mercado. Ta tudo bem comprar, até que seja por puro luxo da nossa parte. Nossa mais intima vaidade.

Precisamos de uma pausa, desacelerar um pouco o ritmo, nessa mesma vertente tem um post incrível no modices que fala sobre o ciclo fast fashion onde “diminuímos as barreiras da comunicação, a informação chega muito rápido, fica velha muito rápido e na mesma velocidade é substituída por nova informação consumida com a mesma ferocidade” .

Vamos consumir o que precisamos o que queremos no nosso tempo sem ter a urgência em ter tudo a todo tempo para no instante seguinte tudo ficar démodé, mesmo com todo esse estímulo contrário.

Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.

A 42° semana de moda de São Paulo (SPFW) terminou na sexta dia 28 de outubro: Transformação, transgressão, transição foi o tema escolhido, chamando atenção para as mudanças do cenário com novas oportunidades e formas de criar, revelando novos talentos provenientes da Casa dos criadores, evento de moda em ascensão que acontece duas vezes por ano em São Paulo, tem como objetivo principal criar um espaço que permitisse a estes estilistas uma proximidade maior com o mercado da moda brasileira, com criação autoral genuína e revelando sempre novos talentos. E é nesse momento que questiono o lugar da mulher no mercado, além das primeiras filas, mas como criadora. Atualmente menos de 50% dos estilistas apresentados são mulheres e nenhum dos dois eventos se salva.

“O prefixo trans traduz a idéia de ir além. Serve para nos provocar. Sozinho ou em associação com outras palavras, ele é a marca dessa edição”. Analisando as coleções e novas propostas, podemos sim reconhecer essa essência, a comprovação disso foram os desfiles com maior destaque de Ronaldo Fraga e LAB.

VOGUE, SPFW E O LUGAR DA MULHER

Modelos trans e negras ao lados dos estilitas.

O primeiro trouxe para passarela, como um ato político descrito pelo próprio, um casting composto por 28 mulheres transexuais como forma de protesto aos números absurdos de violência contra o gênero, o que foi muito legal e representativo, hoje somos o pais que mais mata no mundo transexuais e travestis! Ja a segunda, teve sua estréia no evento, liderada pelo rapper Emicida e seu irmão, Evandro Fióti com direção criativa de João Pimenta apresentou uma coleção inspirada pelas ruas e hip hop, cheia de diversidade e pluralidade que podemos ver no streat style com modelos fora do “padrão”, mulheres gordinhas, carecas, negras… Original, genuína e urbana com referências bem paulistas. A marca ja tinha lançado sua primeira linha de roupas masculinas na Casa dos Criadores em 2015 com styling de João Pimenta que hoje é diretor criativo, assinando uma coleção cápsula em parceria com a West Coast com nome “Corre Sempre”. Mas reparem que mesmo incrivel, os protagonistas são homens.

Sem desmerecer nenhum profissional, me questiono como pode termos mais de 80% das salas de aulas compostas por mulheres, a própria mão-de-obra ser quase completa por mulheres, além de sermos o público alvo incansável e mesmo assim não completamos 50% dos nomes apresentados nos eventos, ocupamos menos de 1/4 das posições tomadas pela indústria têxtil. Dos 28 estilistas apenas 13 eram mulheres, o site modefica (que me deu ainda mais gás para escrever esse post) da mais detalhes sobre a desigualdade de gênero dentro da moda.

Aparentemente a mulher só serve para consumir e trabalhar em revista, e mesmo assim se formos considerar as dicas I N C R I V E I S da VOGUE vemos um quadro realmente alarmante. Aqui não falamos sobre a capacidade, esforço, empenho e outras coisinhas, os requerimentos para as mulheres que sonham com o trabalho na revista são: Dormir apenas 5 horas por noite, Saber fazer as unhas e se maquiar sozinha, Gostar de tirar selfie com os outros. Soa surreal eu sei, mas você pode conferir neste link aqui. É fútil e ofensivo imaginar que estudamos 4 longos anos para nos prestar a esse papel.

VOGUE, SPFW E O LUGAR DA MULHER

Somos protagonista, mulheres reais e donas de nossos sonhos.

Ou seja, buscamos reconhecimento profissional, uma oportunidade para transformar esse quadro e observamos isso: Eventos de moda sem representatividade de liderança criativa feminina, revistas de moda cortando o próprio pescoço valorizando essa idéia mequetrefe de O Diabo veste Prada. Hoje encontramos uma VOGUE em declínio, sem compromisso e qualidade, já sabemos o porque.

O mercado fashion hoje, espera uma mulher que não existe. Que viva de coadjuvante vendendo uma idéia de perfeição, de balado mas que nunca assuma a posição criativa como líder. Como se não fôssemos capaz de ir além. É limitador e triste. Com um tema tão legal para o SPFW , faltou essa transformação né? Tirar do papel a utopia de uma moda mais justa para as mulheres. Queremos apenas espaço, que de resto a gente se garante!

Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.
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