A MODA PODE SER FEMINISTA?

A Moda pode ser Feminista? Essa é uma questão que venho levando em consideração tem um tempo.

Muitos dizem que a moda é superficial e irrelevante, uma fantasia, capitalista, exploradora e ditadora de padrões.

Por mais que eu ache que ela vai muito além disso, que moda é estilo, e isso é autoconhecimento, único, pessoal e intransferível. Sua identidade.

As vezes é difícil acreditar em tudo isso. A moda tem tido sua pior versão. Sexista, elitista e cruel com o mundo.

A moda diz ser feita para nós mulheres. Mas quando analisamos com detalhes e de forma mais profunda, a moda é criada por homens, que não fazem a menor ideia do que desejamos ou precisamos.

Do início ao fim, mulheres são o maior público e demanda.

Como já citei em outro texto, como pode termos mais de 80% das salas de aulas compostas por mulheres, e mesmo assim não completamos 50% dos nomes apresentados nos eventos, ocupamos menos de 1/4 das posições tomadas pela indústria têxtil.

A indústria da moda concentra um efetivo enorme de mulheres. A nível global, estima-se que 85% dos trabalhadores da indústria são do gênero feminino.

No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) afirma que 75%  dos 1,5 milhões de trabalhadores da indústria têxtil brasileira são mulheres.

Esse número se concentra na parte de produção e confecções que as ágeis mãos femininas se fazem presentes.

Quase nunca na área de gestão e diretoria da indústria.

Nenhum dos CEOs das 10 maiores empresas mundiais de vestuário da lista do Harvad Business Review é mulher.

Existe o trabalho análogo à escravidão e todas as problemáticas envolvendo a exploração da mão de obra das mulheres imigrantes na costura.

Até aquela sua blusa da fast fashion com os dizeres “GRL POWER” é machista. Pensa na produção. O que teve de “poder” nela?

A maioria das compras de roupas afeta as mulheres.

Mas quem cria essa moda? Quem aprova? Quem representa?

Quando os grandes CEOs são homens, qual a reação que podemos esperar?

Decotes, comprimentos, estampas, pregas e recortes orientados pelas tendências mundiais, mas quase nada de roupas versáteis e funcionais.

BRUNA TAVARES – GIRL BOSS

CALIX ALQUIMIA CONSCIENTE – ECO-FASHION

 

Mulheres mudam de corpo como mudam de calcinha, não só em grandes mudanças como a gravidez, mas a própria menstruação incha e desincha o nosso corpo de forma drástica.

Só que fica impossível lidar com essas mudanças se, a cada uma delas, temos que repensar nosso guarda-roupa ou aceitar roupas que não gostamos tanto só porque elas nos servem.

E isso está tão intrínseco a nossa história, que nem percebemos. Exemplo são os bolsos.

Xofanna, qual ligação de tudo isso?

A roupa feminina não teve bolsos durante a maior parte da história, mesmo quando começaram a aparecer nas roupas masculinas lá pelos anos 1600.

Enquanto os bolsos nas roupas masculinas eram costurados diretamente nas peças (assim como ainda são atualmente), as mulheres precisavam se virar e enrolar um saco com uma corda em volta da cintura, sob a saia.

Esse tipo de acessório era bem mais difícil de acessar, porque ficavam sob várias e várias camadas de tecidos e, para tirar algo desses sacos, as mulheres precisavam ficar praticamente nuas.

Sabe porque? Por que mulher não tinha que trabalhar, mulher não tinha que andar com dinheiro.

Mulher não podia ser independente.

Eu tento compartilhar sempre mulheres que me inspiram e tentam mudar o rumo. Mas é complicado, isso porque nem falei sobre a luta das manas negras que é ainda maior.

A moda tem sido machista, tem sido elitista e é meu dever tentar mudar isso. Reconhecendo e incentivando mulheres empreendedoras!

 

Por sinal esse texto é uma junção de dois posts maravilhos que me inspiram – Um da Nina no Modices e um do Modefica. 

Minha mãe sempre disse “Xofanna pare de inventar moda!” – Pois é, que bom que nunca escutei.

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