Minha relação com a maquiagem - Caos Arrumado

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AUTOESTIMA

Minha relação com a maquiagem

, por fialhogi

Como sempre acontece, as primeiras lembranças que tenho de maquiagem estão relacionadas a minha mãe.

Ao contrario do que se pensa não era porque ela se maquiava muito, mas pelo pouco que se maquiava, meu pai dizia que ela era bonita naturalmente.  (Desculpa pai, mas isso é machismo né?)

O pouco que minha mãe usava em dias especiais era um batom rosa e as vezes um lápis preto.

Cúmplice que de fato sou, mesmo não podendo usá-los porque eu era muito pequena, para mim, o batom e o lápis tornaram-se imediatamente dois objetos mágicos, que queria para mim.

No colegial, logo apos a separação dos meus pais lembro de ter minha primeira gaveta do banheiro. Tinha 15 anos: um batom vermelho (que chorei pra ter, desmitificando em casa que não era coisa de puta), um lápis preto e um base cremosa da avon.

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Juro era tão feliz com isso.

Nunca acordei mais cedo para me maquiar, mas antes de entrar na sala eu passava no banheiro para me maquiar.

A maquiagem era como uma armadura, eu me sentia mais confiante com ela. E aos poucos ela começou a se tornar uma parte importante para me expressar.

Tinha acabado de completar 18 anos e trabalhava como caixa responsável de uma loja do shopping do Center Norte.

E aquela relação legal com a maquiagem se tornou obrigação. Lembro que estava de lápis e batom e minha gerente na época disse que eu precisava me arrumar mais que não estava bonita suficiente para o shopping.

Voltei para casa chorando no ônibus e com a impressão de que nada daria jeito em mim.   Ao invés de me incentivar a ser vaidosa o ato dela fez com que eu me abandonasse.

Logo em seguida eu assumi responsabilidade como sub gerente de uma outra loja e também do Center Norte, e como era de se esperar, todo dia eu passava o delineado e o batom vermelho.

Não tinha prazer, era obrigação.

 

E se algum dia eu esquecesse “Nossa Gi que cara de doente!” “Xofanna aconteceu alguma coisa?”

Então aquela sensação de que eu não era bonita sem a maquiagem era presente e isso se perpetuou por um bom tempo.

A maquiagem não era uma ferramenta para exaltar os pontos fortes, mas era uma obrigação esconder os meus defeitos.

Autoestima para mim não é amar os seus defeitos, se achar perfeita. Mas é reconhecer aquilo que você não gosta muito e mesmo assim aceitar, se amar um pouquinho.

Que esses detalhes não são maiores nem menores que o restante.  Amor próprio não ignorar aquilo que a gente não gosta, mas é se amar com tudo.

E a maquiagem que tanto me fez mau, hoje conseguimos ter uma relação saudável. Por que eu não sinto mais a obrigação de maquiar para sair, se eu passo uma base, uma sombra ou qualquer outra coisa, é porque eu quero.

Por minha escolha, para me divertir, para exaltar aquilo que eu gosto.

Eu parei de procurar o corretivo milagroso das olheiras, e comecei a aceitar corretivo que amenize a cor roxa, enquanto eu uso uma sombra cobra que deixa meu olhar ainda mais vibrante.

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Hoje, tenho um ótimo relacionamento com maquiagem: tenho muitas maquiagens, gosto de comprá-las, gosto de usá-las, e acima de tudo não o vivo como uma imposição.

Houve um período em que, há alguns anos, decidi parar de usar maquiagem, mostrar a todos que não precisava aparecer, que queria ser eu mesmo, sem me cobrir com o que achava que eram apenas máscaras que eles escondiam inseguranças.

Em suma, eu estava convencido de que remover maquiagem da minha vida me ajudaria a me sentir, mas eu estava errado: também sou feito da minha paixão por cores e pincéis.

Para mim, maquiagem é uma arte, uma paixão que determina quem eu sou da mesma forma que meu personagem é determinado pela maneira como me visto ou pela comida que gosto de comer.

Acho importante compartilhar isso.

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  • Loriene

    Aqui em casa era assim também, aprendi com minha mãe cuidar da minha pele e depois que eu cresci que comecei a maquiar minha mãe pois antes ela também usava um batom e um lápis, amo maquiagem mas tenho preguiça de me maquiar todo dia prefiro mesmo cuidar da minha pele, esse hábito eu herdei da mamis.

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