MODELAGEM NO BRASIL: SEU MANEQUIM NÃO ME REPRESENTA

Um desabafo sobre como uma modelagem sem estudo pode interferir na nossa autoestima.

Esse final de semana fui no shopping e resolvi entrar na H&M para dar uma olhada, passando pelo provador escutei algo como “Preciso emagrecer, nem 38 mais me serve!” . E um outro pais, uma outra língua porém o pensamento é o mesmo.
Trabalhei dos 16 aos 21 em lojas de shoppings e essa frase foi repetida inúmeras vezes ,que, depois de um tempo a gente se acostuma e não temos mais a menor comoção sobre aquilo. Essa frase vem carregada, já reproduzi e achei normal, mas hoje vejo que ta tudo errado. Não sou EU quem tenho que mudar para servir a roupa é a ROUPA que tem que me servir bem!

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Ilustração linda da Victoria Evans
Com a competitividade cada dia maior e o consumo desenfreado as marcas se vem “obrigadas” (entre aspas por que ninguém é obrigado a nada né monamour) a produzirem com um preço cada vez mais baixo, já falei sobre isso no post slow fashion e vale muito a pena reler para entender esse mundo, enfim, a solução esta em uma fabricação terceirizada em algum pais subdesenvolvido e hoje não entro em critério das condições já que falei sobre isso no outro post citado. Acontece que os corpos desses pais são muito diversos dos corpos Brasileiros. Não é que temos apenas UM BIOTIPO, em nosso território temos uma variedade de cinturas, quadris, bustos, não temos um padrão preciso.

 

Essas peças produzidas no exterior seguem uma modelaria muito pequena que não condiz com a maioria das nossas mulheres e infelizmente a única coisa que encontramos hoje em dia em um preço acessível são essas roupas que não nos servem. Não tem nada de errado com nossos corpos! Mas sim com a nossa MODELARIA que tem sido deixada de lado.

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Você entra em uma loja e pede uma calça x, te perguntam que número de você veste, você parou e pensou “naquela loja x eu visto 40 mas naquela outra é 36”. Resolve pelo meio termo e chuta um 38. Mas o 38 daquela loja esta pequeno. Deve ser 40! A vendedora vem sorrindo e te entrega. A calça não fecha. A mesma vendedora diz que a modelagem é pequena. Você pega uma calça 42 e não se sente a vontade com o numero (que é só um numero de referencia ele não significa nada ok?). Te serviu, mas não você não esta confortável, a calça te serve na cintura, mas esta muito comprida, precisa fazer a barra e ela esta meio folgada. Não é a mesma calça da vitrine. Não é possível, no manequim na frente da loja veste a calça e nele cai tão bem. Vem aquela sensação de desilusão, desanimo e em seguida a frase “Preciso emagrecer pra vestir essa calça“. Por vezes na mesma loja você usa 38/40/42 . 3 numerações diversas, que influenciam sua autoestima por que ninguém te avisou que isso é apenas referencia modelagem.

A tabela hoje utilizada não nos representa, não temos que ter TAMANHOS mas sim MEDIDAS. E muito mais pratico quando estudamos as medidas nacionais e criamos roupas a partir delas. Pensa que em 1968, a ISO, entidade que coordena padronizações, determinou que as medidas de roupas deveriam ser proporcionais aos biótipos de cada país. O nosso cálculo foi o seguinte o número da calça feminina é a metade do comprimento do quadril subtraída de 8 (96 cm de quadril? O tamanho é 40). Mas isso não quer dizer que exista um padrão, isso não quer dizer que existe uma fiscalização. Ou seja eu como marca uso uma modelo asiática (por que ninguém fala sobre o molde, apenas um calculo) eles podem escolher um numero aleatório, quem disse que não?

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Existe uma plano coordenada pela própria ABNT, em parceria com várias entidades de classe ligadas à moda, que unificará a modelagem por número de roupa. A idéia é que os brasileiros consigam identificar o vestuário certo pelas medidas do corpo. Seria mais fácil comprar uma calça ou até o sutiã nosso de cada dia. Algumas marcas já aderem essa forma de vestir, mas a maioria não.

O manequim em frente a loja não me representa, aquela modelagem não me cai bem, soa como propaganda falsa e o problema não sou eu nem meu corpo é você marca que não sacou ainda que meu tamanho é da minha conta, mas as minhas medidas é da nossa conta e devem sim serem estudadas.

Minha mãe sempre disse “Xofanna pare de inventar moda!” – Pois é, que bom que nunca escutei.

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