" o que vão pensar ? " criatividade e auto-sabotagem -

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COMO ME SINTO

” o que vão pensar ? ” criatividade e auto-sabotagem

, por fialhogi

Toda santa vez que penso em fazer uma foto mais criativa sem nenhum motivo claro, como viagem ou modelo para um fotógrafo amigo, automaticamente penso em uma legenda justificando a fotografia.

Não importa o que seja, a fotografia nem sai da minha cabeça na maioria das vezes justamente porque antes mesmo de publicar fico com medo no que vão pensar.

Vão me achar fútil? Vão me achar ridícula? Vão questionar minha maturidade? Vão pensar que só quero aparecer? Quanto vão me julgar? Vão rir da minha cara?

Mas sabe o que é pior? Eu mesma me julgava. Sou a maior crítica do mundo comigo mesma. Lendo o livro “O Caminho do Artista” comecei a prestar atenção nesse meu comportamento e reconhecer meu senso de perfeccionismo interno.

Existe um sensor na parte esquerda do nosso cérebro, ele é responsável por nossa parte “sensata”. Na verdade ele às vezes pode ser apenas um crítico maldoso com comentários que costumam confundir a verdade. Ele se diz cérebro lógico e também é conhecido como auto sabotagem por conta do medo do desconhecido. Ele normalmente suga toda nossa auto confiança.

E nesse momento que o sensor se mostrava presente, entrava em questões muito profundas mal resolvidas comigo mesma. CARAMBA é só uma foto que gostei e quis reproduzir, qual a dificuldade de eu mesma aceitar isso?

Fico buscando desculpas porque sinto que sempre poderia fazer melhor, busco desesperada o perfeito. Mas adivinha? O perfeito nunca vai chegar! Era mais fácil justificar para mim mesma que não fiz porque não ia ficar perfeito, que tentar com o que tenho e ser corajosa ao expor.

Mas o que os amigos do meu noivo vão pensar? Eles são pessoas normais, vão pensar que “estou me achando”. 

Quando na real, percebo que os amigos do meu noivo não vão pensar em nada,  se isso fosse importante para eles, provavelmente iam  achar graça. Talvez queiram fazer o mesmo.

Se fosse qualquer outra pessoa postando o que acabei de criar, acharia o máximo do balacobaco, mas como fui eu:  alguém já fez melhor.

Sentir orgulho das próprias criações soava como prepotência, egocentrismo e inconsequência. Por que não importa o que seja, não tenho confiança e estima por nada que me envolva. Porque não me enxergo com os mesmos olhos que enxergo as outras mulheres?

MAS O QUE VÃO PENSAR? MAS O QUE VÃO PENSAR?

Mas de onde veio esse sensor? Percebi que esse sensor reproduzia tudo que uma sociedade machista quer. Porque mulheres não devem ser criativas, não devem ser ousadas. É mais fácil deixa-las inseguras quanto ao que fazem, deixa-las desconfortáveis. Como diria Karol Pinheiro “Ninguém segura uma mulher segura”.

Enquanto me dopava com esse receio por ser julgada o tempo passava, minha segurança quanto mulher e artista ia sempre diminuindo e a necessidade de justificar toda vontade autêntica crescia. Como se tivesse que me desculpar por ser exatamente como sou, como se tivesse algo muito errado comigo por gostar de fazer o que deixo de fazer.

E dessa forma mantive minha mente presa e minhas vontades reprimidas, me escondendo na vergonha que sentia de ser eu mesma. Escrevo cada linha chorando, é uma sensação de alívio com descoberta, como se tudo fizesse cada vez mais sentido menos esse medo do que os outros vão pensar.

Fiz o melhor com que tinha, afinal criatividade é desenvolver, expressar e criar qualquer coisa de qualquer coisa. É fácil ser criativo quando se tem todo amparo e tudo a disposição.

A verdadeira artista consegue fazer arte com um guardanapo e caneta bic. Criatividade não é dom. É exercício. Como tenho exercitado se sempre espero o momento perfeito que nunca vai existir? Na noite de hoje, que finalmente recriei uma foto que sempre quis ter, na banheira de casa, sem minha camera e sem nenhum fotografo, não tenho desculpas para não me orgulhar do que fiz. 

CAOS ARRUMADO - MAS O QUE VÃO PENSAR_

Sempre quis uma foto assim, mas estava me guardando para quando estivesse magra suficiente, para quando estivesse com algum amigo fotógrafo, quando tivesse uma lente melhor que a 50mm que é muito próxima, em um dia com boa iluminação natural.

Fazer essa foto com o celular pendurado no box no modo vídeo a noite com um abajur iluminando porque a luz do banheiro queimou foi a forma de provar para mim mesma que sou capaz e estou muito orgulhosa.

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Gi Fialho

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