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A 42° semana de moda de São Paulo (SPFW) terminou na sexta dia 28 de outubro: Transformação, transgressão, transição foi o tema escolhido, chamando atenção para as mudanças do cenário com novas oportunidades e formas de criar, revelando novos talentos provenientes da Casa dos criadores, evento de moda em ascensão que acontece duas vezes por ano em São Paulo, tem como objetivo principal criar um espaço que permitisse a estes estilistas uma proximidade maior com o mercado da moda brasileira, com criação autoral genuína e revelando sempre novos talentos. E é nesse momento que questiono o lugar da mulher no mercado, além das primeiras filas, mas como criadora. Atualmente menos de 50% dos estilistas apresentados são mulheres e nenhum dos dois eventos se salva.

“O prefixo trans traduz a idéia de ir além. Serve para nos provocar. Sozinho ou em associação com outras palavras, ele é a marca dessa edição”. Analisando as coleções e novas propostas, podemos sim reconhecer essa essência, a comprovação disso foram os desfiles com maior destaque de Ronaldo Fraga e LAB.

VOGUE, SPFW E O LUGAR DA MULHER

Modelos trans e negras ao lados dos estilitas.

O primeiro trouxe para passarela, como um ato político descrito pelo próprio, um casting composto por 28 mulheres transexuais como forma de protesto aos números absurdos de violência contra o gênero, o que foi muito legal e representativo, hoje somos o pais que mais mata no mundo transexuais e travestis! Ja a segunda, teve sua estréia no evento, liderada pelo rapper Emicida e seu irmão, Evandro Fióti com direção criativa de João Pimenta apresentou uma coleção inspirada pelas ruas e hip hop, cheia de diversidade e pluralidade que podemos ver no streat style com modelos fora do “padrão”, mulheres gordinhas, carecas, negras… Original, genuína e urbana com referências bem paulistas. A marca ja tinha lançado sua primeira linha de roupas masculinas na Casa dos Criadores em 2015 com styling de João Pimenta que hoje é diretor criativo, assinando uma coleção cápsula em parceria com a West Coast com nome “Corre Sempre”. Mas reparem que mesmo incrivel, os protagonistas são homens.

Sem desmerecer nenhum profissional, me questiono como pode termos mais de 80% das salas de aulas compostas por mulheres, a própria mão-de-obra ser quase completa por mulheres, além de sermos o público alvo incansável e mesmo assim não completamos 50% dos nomes apresentados nos eventos, ocupamos menos de 1/4 das posições tomadas pela indústria têxtil. Dos 28 estilistas apenas 13 eram mulheres, o site modefica (que me deu ainda mais gás para escrever esse post) da mais detalhes sobre a desigualdade de gênero dentro da moda.

Aparentemente a mulher só serve para consumir e trabalhar em revista, e mesmo assim se formos considerar as dicas I N C R I V E I S da VOGUE vemos um quadro realmente alarmante. Aqui não falamos sobre a capacidade, esforço, empenho e outras coisinhas, os requerimentos para as mulheres que sonham com o trabalho na revista são: Dormir apenas 5 horas por noite, Saber fazer as unhas e se maquiar sozinha, Gostar de tirar selfie com os outros. Soa surreal eu sei, mas você pode conferir neste link aqui. É fútil e ofensivo imaginar que estudamos 4 longos anos para nos prestar a esse papel.

VOGUE, SPFW E O LUGAR DA MULHER

Somos protagonista, mulheres reais e donas de nossos sonhos.

Ou seja, buscamos reconhecimento profissional, uma oportunidade para transformar esse quadro e observamos isso: Eventos de moda sem representatividade de liderança criativa feminina, revistas de moda cortando o próprio pescoço valorizando essa idéia mequetrefe de O Diabo veste Prada. Hoje encontramos uma VOGUE em declínio, sem compromisso e qualidade, já sabemos o porque.

O mercado fashion hoje, espera uma mulher que não existe. Que viva de coadjuvante vendendo uma idéia de perfeição, de balado mas que nunca assuma a posição criativa como líder. Como se não fôssemos capaz de ir além. É limitador e triste. Com um tema tão legal para o SPFW , faltou essa transformação né? Tirar do papel a utopia de uma moda mais justa para as mulheres. Queremos apenas espaço, que de resto a gente se garante!

Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.

Faz tempo que temos uma relação diferente com nossos bens, com isso produtos personalizados vem ganhando espaço e destaque, afinal eles suprem exatamente nossas expectativas e conseguem transmitir muito mais proximidade representando nossa identidade de forma original e única. Pensando sobre a questão de ser único e com isso exclusivo entrei em um conflito interno sobre o onde ficaria o luxo nisso tudo, que sobrevive vendendo a ideia de produtos com quantidades limitadas com valores exorbitantes dificultando um acesso democrático, – não só pela qualidade que é um mega beneficio – aquela coisa de possuir e ostentar .

Levei a discussão para um grupo que participo (o da modices da Carla maravilhosa Lemos) e foi muito bom observar opiniões diversas e enxergar novas saidas. Foi ali que a Thais Farage (vale o click no insta dela também) comentou “desconfio que o luxo moderno, o exclusivo, vai vir do slow fashion: vai ter pouco de cada coisa e vai vir daí a exclusividade. não acho que seja simplesmente porque é caro.”.

LUXO, EXCLUSIVIDADE E PERSONALIZAÇÃO NA MODA

Vamos escolher aquilo que nos faz genuino?

O comentario não foi só pertinente, foi esclarecedor. Iluminou minha mente de uma forma que precisei vir compartilhar. A qualidade que produtos de luxo fornecem são inquestionáveis, é um trabalho minucioso com materiais bons, mas justamente por isso não podem ser fabricados em grande escala. O problema foi que esqueci disso e associei luxo a grandes marcas elitistas. Outro comentario que vale dar reply é o da Mariana “Não vejo exclusividade nas marcas famosas, já que qualquer um pode comprar, desde que tenha dinheiro. Isso não é exclusividade. Eu encaro as marcas de luxo como um sonho de consumo, uma mera a ser alcançada, uma realização pessoal, assim como tem gente que sonha em compra um carro X, a casa própria, ou fazer uma determinada viagem. exclusividade mesmo é ter um produto único, feito especialmente parar você, o que você encontra nos pequenos ateliês e não em marcas que tem loja no mundo todo.” conseguem acompanhar meu raciocínio? O novo luxo é a personalização sim!”

Por mais que as pedrarias o simbolo de uma boutique ainda chamem mais atenção quer coisa mais incrível que um produto feito especialmente para você? Pensando nas suas necessidades, no seu gosto, na sua vivência? Adaptado a sua rotina ao seu meio? O novo luxo esta relacionado ao upcycling, ao reuso das peças. Essa ideia de exclusividade vem da personalização que é acessível a qualquer um. A roupa do brecho que você cortou as mangas, a calça do seu pai que você bordou no joelho uma rosa, o seu velho all star que você colocou glittler ate todas as manchas serem cobertas e camufladas.

Cada dia mais eu acredito que investir no slow fashion é a solução para nosso futuro. Rever nossos hábitos não é tao complicado, não precisamos deixar de gostar de moda, de fashionismos e afins, temos que adaptar esse universo a uma forma mais ética de consumir e não tem nada de complicado nisso. Existem empresas como a Farrapo que trabalham diretamente com a ideia de customização e upcycling, mas é tao simples que você mesmo pode praticar em casa, alem de outras marcas de personalizados.

Se você apoia essa ideia não esquece de compartilhar com seus amigos, marcar as tias dos bordados e comentar se conhece outras empresas ou pessoas que apostam nessa ideia! Aproveita da um like na fanpage e segue la no instagram para acompanhar tudo em tempo real!

Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.

Como falar de cachecol e não lembrar do mais famoso e marcante uniforme de Hogwarts??? (desculpa, não me segurei).
Vários tecidos, cores e estampas ele é um assessório super atemporal e faz total diferença em um look (além de nos deixar aquecidos no friozinho). Cachecóis são peças tão versáteis que qualquer “enrolação” diferente já fica com uma cara nova. Vale a pena investir em um.

GOLA
As maxi golas são aqueles cachecóis em formato de circulo que dependendo do tamanho da pra dar muitas voltas pelo pescoço. Nesse look a maxi gola é literalmente maxi fazendo um volume super legal. (Esse look é aqueles que a gente não sabe se tá muito frio ou se ta mais ou menos, mas enfim…) O vestido (peça de verão marcando presença nos looks invernudos) com um tecido mais leve equilibra a rigidez das peças de inverno. O casaco na cor caramelo que é total trend nessa temporada. Meia calça um tanto quanto fina e nos pés o clássico allstar que fica bem com tudo.

ENROLA O CACHECOL 5 FORMAS DE USAR - CAOS ARRUMADO

Como Max gola o cachecol pode ficar ainda mais lindo

FORA DO PESCOÇO
No post da bandada eu já tinha colocado um exemplo do acessório fora do pescoço, mas ai eu achei essa imagem maravilhosa e fiz questão de colocar aqui. Truque de stylist para dar cor e movimento à produção.O legal é que da pra fazer de vários jeitos, como cinto, só jogadinho (como da foto) e da pra brincar com diferentes tipos de nós. O jeans e a blusa super anos 90, amei.

ENROLA O CACHECOL 5 FORMAS DE USAR CAOS ARRUMADO

Apostar em um estilo mais leve como lenço também é uma boa saida.

SOBRE OS OMBROS
O cachecol sobre os ombros de forma assimétrica deu um ar mais cool ao look (além de dar uma esquentada ali na região) Além do cachecol, a jaqueta de franjas deu um up a mais. Referência da década de 70, o óculos redondo super característico, a calça com uma releitura contemporânea das famosas “boca de sino” da época hippie e as franjas pra completar.

ENROLA O CACHECOL 5 FORMAS DE USAR

Usar como um poncho é estiloso

SEM MUITO SEGREDO
Essa forma literalmente é sem muito segredo. É tipo “to atrasada mas quero algo a mais”. Por ser simples não significa que essa forma não tenha seu charme, muito pelo contrário. No primeiro look o lenço é grande e tem um acabamento meio destroy, o que proporcionou um visual mais despojado. Já no look da Olsen o lenço passa uma sensação mais sofisticada e com a blusa rolou um mix de estampas interessante.

ENROLA O CACHECOL 5 FORMAS DE USAR

Estampas mais estampas <3

O DIFERENTÃO
Deixa o look super diferente e da uma cara de ryca e phyna. O cinto prendendo o cachecol deixa a silhueta marcada. O legal é que da pra trocar o cinto ou o cachecol e já deixa tudo distinto. Além dos cachecóis mais grossos da pra fazer com os lenços para um resultado mais suave. No primeiro look ela preferiu peças pretas e só o cachecol com cor e estampa, mas podemos ver que isso não é uma regra, no segundo temos jeans e uma blusa listrada pra compor a produção.

ENROLA O CACHECOL 5 FORMAS DE USAR CAOS ARRUMADO

O poncho vira colete, se joga

Me conta se você usa alguma dessas formas!

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Produtora de moda, 18 anos, catarinense, vegetariana, apaixonada pela vida e amante da arte.
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