29/04/16

#SPFW: STREET STYLE, FALSO GLAMOUR, SELFIE E POLÍTICA.

Não me leve a mal quando eu disser que não ligo muito mais para o #SPFW. Pode ser um tiro no pé, pode! Mas prefiro ser honesta comigo mesma e com você leitor. Claramente quando eu digo isso você interpretara errado, permita-me ser clara. O evento em si tem me cansado, assim como alguns estilistas. Mas para o bem geral da nação existe sempre alguma coisa que salva e faz valer a pena. Mas vamos por partes:

As semanas de moda perderam um pouco da graça quando se tornaram eventos de selfie, status e mais do mesmo. Me interessa muito mais observar o street style, ate por que , dentro da minha vivencia é muito mais adaptável e legal. Na verdade acho que o street style roubou a cena. Existe mais personalidade, audácia, criatividade. Existem looks que desfilam pelos corredores que mereciam estar nas passarelas por que carregam um DNA muito autentico. São genuínos! Do cabelo, maquiagem e estilo. Fora que , as roupas provem de brechós, fast fashion, isso quando nao é a propria pessoa que costura . São composições acessíveis e isso mostra que estilo não tem a ver com valor, ninguém se veste pra saber quanto tem no banco (ou sim, talvez?).

Já nas passarelas não vemos representatividade. Eu entendo que ali são mulheres e homens que servem como um “cabide” e o que tem que chamar mais atenção é a roupa, porem, ate nisso ta faltando um pouco. Sempre vemos MAIS DO MESMO. Uma vez a Carla do modices (já disse que amo muito esse blog) comentou basicamente isso. Se o tema é mar, as apostas são sempre as mesmas, a onda, o azul, uma concha, sempre aquela mesmisse cansativa e previsível que a gente já viu a uma estação atras. Pensem bem, um oceano é um infinito, tem cores que ainda não foram exploradas, texturas novas, formas diversas e a gente sempre vê a mesma coisa. Em momentos de crise pode ser bom, ficar ali na zona de conforto, o novo pode ser muito ousado, pode não vender tao bem quanto esperado. Só que com isso você perde a essência de uma semana de moda que é mostrar novas propostas. E não só vender novos produtos.

 

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Grifes , marcas e estilistas são influenciadores, normalmente são eles que ditam muito sobre o que sera hit na estação. Porem com essa monotomia, eles perdem um pouco de poder e novos movimentos se tornam relevantes e começam a criar novas tendencias de consumo. Digo que isso parte de artes, fotografias e o street style com propostas inusitadas, criativas e exóticas..

Os holofotes dos desfiles também mudaram a direção e se voltaram para quem senta na primeira fila do desfile, quem é a nova It Girl, ou aquela blogueira que se auto denomina “influenciadora” (desculpa não consigo levar a serio quem se autodenomina) , que virou a garota propaganda. Ela sustenta o seu blog pela imagem de ser perfeita, com roupas caras, looks elegantes. Não tenho pretensão de julgar, cada um faz aquilo que esta com vontade, mas essa ideia de que moda é só o look do dia, esse falso glamour me da alergia por que não tem nada a ver. Elas não nos representam, eu sei que a Camila Coelho é uma simpatia e merece muito o espaço que tem, mas eu posso citar ela e mais duas, o resto da turminha só ta ali pra ser garota propaganda de looks do dia patrocinados por marcas com a ideia de ostentação.

 

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Existe um glamour falso nas semanas de moda, as pessoas se matam, inclusive eu já me matei pra entrar nesses eventos. Mas eles perderam o sentido quando deixaram de ser referimento de algo novo para só mais um espaço de autopromoção. Em tempos de crise das duas uma: ou você cai ou você enfrenta. Nisso algumas marcas se perdem, deixam de ter graça. Mas tem um lado muito bom nisso. Crise também é sinal de oportunidade, se a grife que você curtia perdeu a essência tenha certeza que uma nova vai surgir e se consolidar com um estilo original.

Agora entra a parte que deve ser considerada e aplaudida, como eu disse em tempos de crise ou a grife/estilista se renova e luta, ou cai. No caso aqueles que lutam merecem um premio. Exemplo desse ano o Ronaldo Fraga que colocou na passarela refugiados. Uma das frases que mais gostei que ele disse foi “Acredito que o homem é um ser político e a moda é um ato político.” para uma entrevista a folha  os modelos podem ainda serem “fraquinhos” mas existe a utopia, existe um movimento, como em 2014 a Ellus e a Cavalera. Uma criou o movimento #AQUIJAZ com a ideia que cada consumidor escrevesse em uma cruz que a loja oferecia, o peso que carrega já a Ellus na criou uma linha de camisetas com os dizeres “Abaixo a essa Brasil atrasado“. Na época fiz um post no Grito Fashion falando sobre, (você pode ver clicando aqui).

Isso tudo é suficiente? NÃO, precisamos de mais? SIM! A moda Brasileira tem amadurecido mas não é o bastante. Precisamos encorajar movimentos relevantes, com propostas mais ousadas e criativas, valorizar produtores, costureiras e o trabalho nacional o nosso mercado interno. Precisamos repensar quem é a garota propaganda e se ela pode representar a maioria. Esse evento devia ser um manifesto fashion e não uma vitrine de egos. Eu acredito na moda e sei que ela pode revolucionar o mundo.

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Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.

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