SLOW FASHION X MODA DEMOCRÁTICA E POSSÍVEL

De uns tempos para cá todo mundo tem comentado sobre slow fashion, que é uma forma de consumir mais consciente, acontece que precisamos discutir os dois lados da balança por que por muitas vezes esse conceito é um privilegio e não suporta a todos. Mas antes que você pense que eu sou contra o movimento, tenha calma, não é nada disso, so quero avaliar e descobrir uma forma que esse conceito não prive ninguém de consumir moda e seus modismos.


= Slow Fashion =

Quando a gente resolve falar sobre o slow fashion a gente fala de um consumo mais consciente, e isso engloba da sua fabricação ate sua durabilidade. Sei bem o quanto é incrível poder comprar aquela peça inspired na fast fashion por apenas algumas dilmetes, sei o quanto é legal e prazeroso ter o acesso a isso, por que como já me referi, por vezes a moda priva você de consumir, por que não tem condição de investir um determinado valor, é tentador roupas em uma faixa de preço que não ultrapasse os 50 reais é um oásis consumista. Só que tem um lado muito ruim nisso tudo, que não é só o consumismo desemfreado, mas que, como pode uma peça custar isso? Para uma produção existe gastos, como luz, materia prima, mão de obra, logística, ate a peça chegar nas suas mãos muita gente teve que ralar duro, e como estão sendo pagos? SE estão sendo pagos.

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A Dee Dumore autora do blog NOO explicou da forma mais didatica que é possivel nessa vida:

Uma fábrica terceirizada, em algum país subdesenvolvido e pobre, onde pessoas “trabalham” por centavos, no sentido literal do termo. Matérias-primas de qualidade duvidosa sendo transformadas em roupas por costureiros e modelistas escravizados, após terem sido desenhadas por estilistas igualmente escravizados (acreditem, os salários não são glamurosos), em países onde o desespero por emprego é tamanho que por um centavo vale a pena arriscar a própria vida, para que essa roupa retorne ao país de origem da marca e vá para as araras de seus pontos de venda com um “simpático” US$8,00 na etiqueta. A roupa não dura, você tem que jogá-la fora porque sequer serve como banco de tecidos ou doação. E lá está você novamente precisando de uma calça nova. Dez calças de oito dólares custam uma calça de oitenta dólares que, tendo sido desenvolvida por uma marca DE QUALIDADE, durará uma vida inteira. Aqui no Brasil, estamos sujeitos a impostos tão ridículos (além de um câmbio de dar pena) que a desculpa oficial de muitas marcas é “contratar bons profissionais custa muito caro e esse custo teria que ser repassado aos consumidores”. Minha gente… A que ponto chegamos! A solução BÁSICA aqui seria desoneração fiscal.

 

A trendsetter holandesa Li Edelkoort apresentou a pouco tempo o “Manifesto anti-fashion” com dez tópicos, as razões que a motivam a acreditar que a moda do jeito que conhecemos hoje está obsoleta devido a essa imensa exploração de mão de obra escrava, produtos tóxicos ao ambiente e o ritmo desenfreado de produção e descarte sem pensar nas consequências ambientais e sociais. E ruim para todo mundo, é ruim para o planeta é ruim para economia, por que vamos colocar a cachola para funcionar again: quem são os donos dessas fast fashions? Provavelmente 3 super ricos acionistas e quando entramos nesse ciclo de consumo mais dinheiro na carteira de 3 acionistas e menos nas de milhares de funcionários — ao passo que quando a gente compra de pequenas confecções ou direto de quem faz o dinheiro fica ali mesmo – e não na China ou em Bangladesh. E tudo isso gera desigualdade.

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= Solução =

A solução pode estar ai, consumir por qualidade e não por quantidade, peças atemporais, com um bom material para durarem mais, que sejam versáteis que tenham uma modelagem legal. Claro que tudo isso é um “investimento” afinal é a nova ideia do handmade (feito a mão), mas tem gente que não pode expender isso, por que tem um custo maior, 15 reais podem fazer diferença no orçamento de alguém.
Não to dizendo que isso não é uma ideia maravilhosa, é uma alternativa para fugir desse ciclo.

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Mas não tem só essa forma de consumir consciente, para mim a forma mais democrática é garimpar em brechós fisicos ou online, existem vários grupos do facebook o mais conhecido é Brecho Trash que incentivam isso e também a troca de peças, as vezes aquele vestidinho de margarida usado uma vez pode ser o trend que outra pessoa procura. Alem disso upcycling é uma ótima saída,  reformar sua peça, uma ideia que nem é tao nova assim, customizar e transformar aquela peça que você não usa mais, ou que esta curta em algo moderno. Fora isso vale ainda indicar lojas com produção  nacional, que valoriza o mercado e profissionais brasileiros e da preferência para pequenos fornecedores incentivando o mercado local como a loja Uh Lalah que também tem um preço justo (e isso é uma indicação não uma #publi ok?!).

Ninguém é 100% correto e não impactante, mas começar a refletir sobre isso já é o principio para uma grande mudança de habito. A moda tem que ser para todos. Compartilhe comigo o que você acha sobre isso, vamos discutir.

Minha mãe sempre disse “Xofanna pare de inventar moda!” – Pois é, que bom que nunca escutei.

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