/ TURISMO

Se a gente for analisar bem a palavra intercambio ela quer dizer mais ou menos: trocas de relações comerciais ou culturais. Ou seja é a ação de permutar; trocar o compartilhamento e isso é a uma das coisas mais legais que a gente pode aprender. Uma coisa é aprender nos livros de historia outra bem diferente é vivenciar tudo isso e a grandiosidade de uma cultura. A Italia é um pais riquíssimo de tradições e costumes e morar aqui me proporciona aprender todo dia, listei algumas curiosidades nesse post.

 

RALO SÓ SE FOR NO CHUVEIRO

Foi estranho e desastroso quando descobri isso. Ok, que sempre morei em apartamento, mas na aérea de serviço tinha, era comum em casas que frequentava ter ralo ate na cozinha e como aqui moro em sobrado nas primeiras semanas que estava sozinha fui lavar a cozinha e adivinha, NÃO TINHA POR ONDE A ÁGUA ESCORRER! Foi um pequeno desastre, mas a cozinha ficou limpinha.

 

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MEU RISOTO NÃO ENCOSTA NA SALADA.

Se você acha que é frescura quando alguém diz para você “coloca o arroz de um lado e o feijão do outro” sabendo que no final ta tudo junto e misturado, você surtaria aqui na Italia. Existe um ritual que é de frequente: Primeiro é servido a pasta com o molho ou uma pizza (mas se for pizza voce come uma inteira SOZINHA) e só isso, depois se troca os pratos é servido uma carne (pra quem gosta) ou um segundo prato, uma torta qualquer coisinha mais elaborada e por ultimo é servido verduras, legumes e a salada. Bônus track: Salada é servida por ultimo. Aqui é costume e em qualquer lugar que você for sera assim.

 

CIAO NÃO E TCHAU

A primeira vez que vim para cá e escutei o “ciao” quando entrava em alguma loja, restaurante ou casa de conhecido me soava estranho e minha reação inicial era de travar, soava ofensivo como “Nossa ta me mandando embora?” mas na verdade é o “Oi” deles e também o “tchau”. Mas como a sonoridade pra gente é relacionada a partidas é um pouco anormal ser recebida com esse cumprimento.

 

NA SUA CIDADE PODE NÃO TER ÔNIBUS

Aqui todo mundo tem carro. Serio! Você só pode dirigir a partir dos 18 e é comum ver todo mundo com essa idade de carro para trabalhar ou pra ir ao estagio ou faculdade, então a linha de ônibus deles é bem pequena e não supre as vezes todas as cidades (paeses como é chamado aqui), ate por que algumas delas (como San Mauro Pascoli) tem tamanho de um bairro em São Paulo, são pequenas de fato e com isso o ponto mais próximo é na cidade vizinha perto da estação de trem (uns 30 minutos de caminhada).

BÔNUS TRACK – no ônibus não tem cobrador e você pode comprar o ticket em bancas de jornais que custam metade do valor se você compra no próprio ônibus. Cada percurso tem um valor, dependendo de onde você pega para onde você desce.

NÃO TEM FAROL (serio só rotatória)

O título já diz muito, não tem farol. Ponto. A ideia é nunca firmar o trafico de carros por isso você só encontra rotatórias. Vez ou outra quando o espaço é insuficiente que você tem um. Mas é muito raro.

BÔNUS TRACK – Ladeira também é difícil. Claramente deve ter ladeiras, mas a maior parte das cidades (que não são medievais) são retas, não tem subida/descida.

 

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TEM PAUSA NO CINEMA!!

E eu odeio isso, odeio com todas as minhas forças, por que eles vão fazer essa pausa bem no meio do filme, naquela parte que seu coração ta saindo pela boca, no clímax. Imagina assistindo Deadpool totalmente envolvida com o universo, concentrada prestando total atenção em todos os detalhes e do nada aparecer uma tela branca e as luzes se acendem. Alem do susto é a sensação é como quando você esta dormindo e alguém acende a luz do nada, machuca os olhos também. Desnecessário isso, essa pausa é só pra fazer xixi e comprar pipoca, eu ate compreenderia se fosse filme pra criança muito pequena mas estamos falando de Star Wars também, Jogos Vorazes é complicado.

BÔNUS TRACK – Aqui não existe a cultura do legendado. Se no Brasil o pessoal se “gaba” (e não entendo o por que), que assiste legendado, como se fosse um ser inferior por assistir dublado. Aqui não existe essa opção todos os filmes são reproduzidos na língua Italiana e você não tem escolha.

 

VOCÊ NÃO VAI ENCONTRAR NADA ABERTO 12hrs

Hora do almoço é sagrado aqui, e tirando as grandes “capitais” a maioria dos negocios fecham nessa hora por um bom tempo, cerca de duas horas quase. Então se você depois de comer quiser sair para tomar um sorvetinho, capaz que de viagem perdida e encontre fechado.

Se ainda tem duvidas sobre a Italia e seus costumes deixa nos comentarios (:

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Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.

A gente sempre fala aqui sobre uma nova ideologia de consumo fashion e o projeto Ateliê Vivo coloca em pratica muitas de nossas idéias. Imagina um espaço com varios moldes e croquis assinados pelos mais renomados estilistas brasucas? Ele existe e se você continuar lendo vai descobrir tudo isso.

Ate dia dez de outubro desse ano a Casa do Povo la no bom retiro (um dos pólos têxtil do Brasil) recebe o projeto criado pelo grupo G>E (Grupo Maior que Eu) com coordenação e desenvolvimento de Dani Yukari, Gabi Cherubini Karla Girotto e Thatiana Yumi Kurita denominado Projeto Ateliê Vivo.

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Um espaço publico onde se encontra uma biblioteca de modelagens podendo produzir suas proprias roupas a partir de modelos doados como por exemplo: Alexandre Herchkovitch, Amapo, Ad Ferrera/onono. A idéia é ter aulas de corte e costura voltadas para a criaçao de suas próprias roupas. Ou seja: ter autonomia total daquilo você quer usar.
O bacana é que entra muito no que sempre falo, sobre o slow fashion e esse consumo desenfreado, quando a gente entende que o processo criativo e de produção precisa de um cuidado e que isso leva tempo, que a modelagem é muito importante e responsável pelo caimento da peça. Que a durabilidade da nossa roupa deve ser extensa por que ali não foi só o tempo, mas material gasto e nada disso pode ser desperdiçado com apenas UM USO. Faz mais sentido aceitar que precisamos mudar nossa forma de consumir moda.

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A dedicação para fabricar cada peça, da costura do detalhe é importante e aprender faz com que damos mais valor aquilo que vestimos e consumimos. Alem de aprendermos a elaborar aquilo que queremos, temos o contato uns com outros de diversas idades (claramente cada um recebe o molde de acordo com seu nível), criamos um elo com nossas roupas e entrelaçado em cada fio tem um carinho a mais. A Karla Girotto (uma das responsáveis do projeto) afirma que essa idéia é continuação de uma longa historia que começou no seu antigo ateliê mas agora toma uma nova imagem e um novo sentido.

Para participar precisa tem uma noção básica de corte e costura, a atividade acontece aos Sábados das 14h às 21h levar o próprio tecido. Além disso, é necessário marcar horário por e-mail: atelievivo@gmail.com.

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Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.

Vim carregada de expectativas e não estava preparada para metade das coisas que aconteceram nesses primeiros meses. Não foi de todo ruim, claramente que não, mas pra gente aprender e evoluir é preciso errar.

Decidi que ia estudar aqui, e meu padrasto comprou (literalmente ele quem me ajudou a pagar) a minha ideia. Cheguei aqui 4 de outubro 2015 com um Italiano chinfrim de quem teve 4 meses de aulas duas vezes na semana. Entendia 60% do que falavam e falava 30%. Mas mesmo assim me joguei. Sou jovem e essa era a oportunidade da minha vida. Eu a abracei com receio mas de corpo e alma.

Aqui a geografia urbana é diferente e isso conta muito.
Cidades são divididas entre aquelas que são: para morar (no caso a minha), onde se tem uma estrutura maravilhosa mantendo uma qualidade de vida alta. Cidades industriais, que estão muito próximas as de moradia, mas só tem industrias. Cidades turisticas: Roma, Firenze, Milão, são poucos os italianos que moram exatamente ali, podem morar perto, sim, mas ali naquele centro difícil. Claro que perto dessas cidades de morar existem pontos de badalação, no meu caso a mais próxima é Rimini que fica a 30 minutos de carro. A estação de trem mais próxima é na cidade vizinha Savignano Sul Ruibicone, 30 de bicicleta. Nessa minha cidade a população é quase toda idosa, e todos se conhecem, ela tem o tamanho de um bairro pequeno de São Paulo. O que depois de um tempo nos faz sentir em casa. Quando saímos com nossas bicicletas cruzamos uns com outros e conversamos qualquer coisa, não existe pressa e tenho uma sensação de lar. Tem uma infraestrutura que suporta todas as necessidades de seus habitantes mas é bem pacata, mas a primavera esta quase chegando e as ruas ja estão todas floridas, e o sol energiza. Já falei sobre minha dificuldade de criar laços, mas alem disso para mim, uma garota cosmopolita, que cresceu na megalopole de São Paulo é complicado. Por vezes me sinto muito limitada e presa. Vem uma sensação sufocante, logo passa por que tento não deixar esses pensamentos me consumirem, dificuldades sempre vão existir e estou realizando um sonho. Estudar no pais da moda. E apesar de tudo isso, a cidade é cativante digna de um clipe da Taylor. Casas com sacadas floridas, cores pasteis, uma praça central com uma igreja charmosa e cafés fofos, assim como as gelaterias. Ah pelo amor de Deus! O mais bacana é que a cada esquina voce esbarra em algo mais antigo que talvez seu proprio pais. 

O curso foi muito proveitoso, aprendi tantíssimo. Hoje sou um shoes designer, estudei anotomia do pé, um pouco de ortopedia para se construir uma forma, sei usar o CAD, desenhar, fazer pesquisas, modelagem. Minha media foi oito e para quem chegou sabendo um cadinho da metade hoje falo fluente (com pequenos erros por vezes vai) mas entendo 100% de um Italiano normal e não o dialeto. Não tenho um diploma disso, mas foi uma das minhas maiores conquistas.

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Também não tenho um diploma timbrado sobre morar sozinha, mas estou orgulhosa de mim mesma nesses primeiros meses, manchei algumas roupas (inclusive mãe já aviso por que sei que vai ler, seu lençol brando agora ta novinho, e rosa, por que não vi que ele tava junto com o outro hehe) e queimei alguns prato mas agora esta tudo caminhando.
No primeiro mês achei que não suportaria, que morreria de saudade de solidão mas aprendi a curtir minha propria companhia, sinto falta do convívio sim, mas é falta só, não existe mais a minha dependência de ter sempre alguém do meu lado para estar feliz. Consigo me divertir na balada dançando sozinha, não tenho nenhum problema em ir ao cinema sozinha ou apreciar um café no bistrô degustando minha propria companhia.

Aprendi com a cultura daqui também, a valorizar a minha vida, a viver melhor e não simplesmente sobreviver. Aprendi a escutar mais, aprendi muito com as pessoas mais velhas daqui e muito bem dispostas. Aprendi que vou sofrer xenofobia por ser Brasileira e que por vezes vão dizer que você esta errada e que seu pais só tem aquilo que esteriótipos sugerem.

Evolui muito como pessoa, como ser humano, como profissional e como Giovanna, mas só por que me permiti errar mesmo não gostando, eu tentava, uma, duas e na quarta funcionava e aprendia, absorvia aquilo que me fazia um ser humano melhor. Já parei bicicleta em vaga de bicicleta de idoso (mas naos sabia ta?), já cheguei atrasa, esquecia meu garfo sempre, achei estranho quando me cobraram 1 centavo (azar da pessoa que teve que trocar depois uma nota de 50), tem sido uma aventura todas minhas tentativas.

O primeiro nível foi completo, usei todas as vidas que tinha, mas consegui. E estou pronta para a nova fase nesse jogo que não me permito dar game over que é a vida.

Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.
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