09/02/16

DESAPRENDI A FAZER AMIGOS?

Pode alguém desaprender a fazer amigos? Isso é possível Brasil? Justamente eu, que sempre muito espontanea e extrovertida, mesmo com todas minhas inseguranças (que não são poucas) nunca deixei a timidez me tomar por completo.

Mas agora morando sozinha, longe da minha zona de conforto, em outro pais, não consigo ter mais de um laço afetivo com alguém. Caminho para o quinto més na Italia e só tenho uma amiga.

Confesso que não sou uma pessoa que gosta muito de um bar, de uma balada, eu ate frequento mas não é sempre, prefiro outros roles, adoro andar de bicicleta, não dispenso um museu ou qualquer coisa assim, então meu contato social é mais limitado.

 

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Era acostumada com gente enérgica, quem nunca conheceu uma pessoa e depois de alguns instantes se ver próxima dela, e intima pra desabafar da vida, cinco minutos bastam para um contato muito próximo e intenso. Nos permitimos conhecer gente no ponto de ônibus que podem marcar nossas vidas,  ofertamos carinho, espalhamos sorrisos, emanamos amor, sem pedir nada em troca. O nosso povo é o que temos mais rico nessa vida.

Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo.
Pequeno príncipe

Dizem que os europeus são mais frios, não quero generalizar, mas também não posso dizer que é mentira. Sempre fui do time do abraço sem motivo, de um inicio de conversa inocente só para passar o tempo. Aqui é mais complexo, não é qualquer um que se permite te conhecer e criar um laço afetivo, e ainda temos um agravante, a tela do celular é mais atraente que novas experiencias. Li uma em algum lugar e guardei essa frase que era assim “Com mais frequência do que eu gostaria, eu estou do lado de uma pessoa pensando em arranjar um assunto, mas antes que eu possa tomar coragem e abrir a boca, o tempo passou e a pessoa seguiu o rumo dela e eu o meu.” E mesmo que eu puxe a conversa, as respostas normalmente são rispidas e diretas, como se você estivesse invadindo um espaço. Era mais fácil nos tempos de escola, quando a gente era mais ingenuo e não tinha medo da rejeição.

Existe uma frase do pequeno príncipe também que quem diz é a raposa “Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.”

E complicado explicar o quão difícil é fazer amigos aqui. Os Italiano são simpáticos, mas não são calorosos. Os Italianos são educados, mas não são amigaveis. E difícil eles se envolverem, eles são reservados ao extremo. Quando conheci a Gaia, depois de uns dois meses (era Natal) dei um abraço na minha amiga, e ela ficou espantada com o toque, depois pedi desculpas e disse que era assim que a gente cumprimentava no meu pais (Agora ela é mais tranquila, to abrasileirando ela). Sinto que falta empatia aqui sabia? E um desabado meio confuso, mas é meu blog mesmo.

 

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Busco assuntos sempre que possível na esperança de ter alguém pra conversar, debater qualquer coisa, ate sobre o tempo que anda bruto, cinza e desestimulante. Mas ninguém esta disposto. Confesso que os romanos são mais divertidos que os italianos do norte, são mais receptíveis. Moro no norte, em uma cidadezinha pequena, que tem mais gente velha do que nova, e também não tem muita coisa pra fazer, não tem ônibus, a estação de treem é um pouco longe e apesar de ter um carro na porta de casa a minha disposição não sei dirigir. A situação não é muito favorável.

Estou presa em uma ilha onde só estudo e passo meu tempo no blog, por que meu visto também não me possibilita trabalhar. Não quero parecer resmungona, sei que preciso tomar uma iniciativa, só não sei qual ainda. Talvez você leitor me ajude. De coração.
Quer ver uma coisa estranha, quando estava em hostels só fazia amizade com brasileiro, a gente se desprendia das inseguranças e se divertia. Foi assim em Londres, Firenze, Roma, Paris. Sinto falta do Brasil nesse sentido, sinto falta dos meus amigos.

Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.

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