/ VIAGEM

Quem me acompanha no Instagram/Facebook sabe que nesse final de semana estava em Spello, na Umbria, região central da Itália para participar da Infiorata, um manifesto artístico e religioso riquíssimo culturalmente mas também em suas técnicas.
Mas o que é a Infiorata você me pergunta: nada mais é do criar tapetes com flores para uma procissão passar durante o Corpos Domini. Apesar de muitos lugares dizerem que a tradição é nata de Roma, na verdade é de Spello mesmo, quando uma senhora, nos tempos das cruzadas, jogou flores na procissão de retorno dos soldados(? – me fugiu o nome).

INFIORATA SPELLO

Essa era a capela/casa da Sonora onde nos encontravamos para despetalar e conversar. Imagina isso em #SP ?

Agora que você já sabe do que se trata vamos para o próximo detalhe: o desenho é impresso e colado no chão, mas o tapete tem que ser interino de flores ou folhas que não podem ser coladas ou coloridas artificialmente, a única coisa que pode ser feita é deixar o sol secar. Ou seja cada cor do tapete é de uma espécie de flor. Trabalham-se texturas e formas. Também quero deixar claro que existem áreas próprias para se colher flor, não é qualquer canto não ta? E que nenhuma parte da flor é desperdiçada, exemplo da Margarida: seu miolo é espremido e se transforma quase em um pó, bem leve com uma cor amarelo queimado.

  • SOBRE MINHA AVENTURA –

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Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.

Durante muito tempo me convenci que estar sozinha era a pior coisa que podia me acontecer. Por conta desse pensamento me envolvi em relacionamentos com data de validade prevista e fiz mal a muita gente, que verdadeiramente gostava de mim sofrer, enquanto eu ,egoista, só não queria estar só. Por outro lado também me envolvi com pessoas que não queriam meu mal mas também não me faziam bem. O elo com as algumas pessoas em minha trajetória funcionava quase como uma dependência da minha parte, alguns foram abusivos, já que a pessoa se aproveitou da ocasiao, outros tão ingênuos quanto eu mesma, simplesmente não sabiam como retribuir, por que apesar de reciproco não era tao intenso assim.
Me deixei consumir por ilusões que projetava na esperança que essas relações interpessoais nunca me deixassem só. Por fim depois de um tempo desesperada tive que aceitar a solidão e acolhera como uma amiga.

As pessoas dizem que sou corajosa por ter vindo para a Italia sozinha. Não acho que a palavra seja corajosa, por que qualquer um com a oportunidade que me foi oferta viria, em qualquer condição, mas também não encontro uma palavra para encaixar. Não precisei de coragem em nenhum dos meus dias, vivo uma vida muito confortável e privilegiada (reconhecer é importante), tento pensar em uma forma de retribuir e ajudar sempre. A única coisa que me foi útil e que eu não tinha era o amor próprio.

 

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Com um inverno melancólico e cinza fui obrigada a me suportar todos os dias. Era só eu e eu mesma. No começo foi difícil enxergar qualquer prazer em ser minha propria companhia. Chorei varias vezes no chuveiro, o único local que me permitia chorar de verdade, as lágrias se confundiam com a água, camuflava o ato e o sentimento. Quis estar com minha mãe, quis estar com minhas irmas com meu namorado, queria estar com qualquer um, menos comigo mesma. O inverno na Europa é frio e impiedoso, o vendo gelido rasga tua pele desprotegida e a solidão fazia o mesmo. Senti falta do calor das pessoas ao meu redor, ate que um dia descobri um sol particular.
Era um conjunto de pequenos prazeres: como andar pelada pela casa escutando sua musica favorita por que ninguém vai reclamar. Era rir desesperadamente de um filme enquanto comia sozinha algum doce com muita nutella. Era ir no cinema sozinha e ter a sala toda para você (SIM ISSO ACONTECEU E NÃO TEVE PAUSA NO CINEMA), era deixar a louça para o outro dia e não ter ninguém para reclamar. Era poder demorar cinco minutinhos a mais no banho e dedicar-se a hidratar seu cotovelo, era não precisar dividir uma cama de casal e dormir esparramada a noite inteira. Era não se preocupar em esquecer a toalha e sair se admirando por todo espelho que encontrava. Tomar um café em um bar e observar os hábitos alheios como na cena de um livro. Era andar de bicicleta com fone de ouvidos (por que se você esta andando com outra pessoa é um pouco falta de educação né).

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São inúmeros pequenos prazeres que a solidão pode te agraciar desde que você deixe-a florecer dentro de ti. Como qualquer outro tempo, o inverno chegou a o fim e damos boas vindas a primavera. Hoje sou primavera todos os dias quando floreio sozinha me amando, me curtindo e me apreciando.
Claro que não sou autosuficiente e tenho saudade da minha mãe, das minhas irmas do meu boy magia maravilhoso, dos meus amigos, mas agora tudo isso de forma mais saudável. E também não me amo de forma prepotente e egocêntrica, me amo o suficiente para me aceitar e não depender mais de qualquer migalha.

Acho que amadurecer é isso: doses homeopáticas de amor proprio.

 

Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.

Meu povo brasileiro, hospitalidade é uma palavra muito forte e engloba vários outros sentimentos e alguns deles é a compaixão, de se colocar no lugar do outro e a generosidade de ofertar sem pedir ou esperar nada em troca. Eu amo a Italia, mas hospitalidade não é seu ponto forte. Um país com uma cultura riquíssima e educação impecável não leva o premio de mais simpático.

Claro que não pretendia exagerar, excluo aqui meus poucos amigos, mas ate eles concordam comigo quando abro meu coração. Gaia sempre diz da forma mais italiana possível que o povo daqui (principalmente do norte) tem a “puzza sob o naso” que é algo como o nosso nariz empinado.
Queria dizer que é mentira, que a maioria não é metido, mas não é. Isso é uma das coisas que me reprimem a tomar a iniciativa e conversar com alguém. Como todo bom europeu, o povo daqui é muito reservado e com isso qualquer abraçado bem intencionado de alguém que vem da America do Sul pode ser confundido com uma invasão de espaço indelicada, indesejada e totalmente desnecessária. Claro que aqui entra uma parte cultural muito forte, não podemos culpar.

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A Ana Patricia do blog Viajando para a Italia escreveu o seguinte “No Brasil qual a bochecha que você da ao ser apresentado a alguém ou mesmo ao rever um amigo? A direita? Pois então, aqui é a esquerda! Mas vai explicar isso pro teu subconsciente que està acostumado hà tempos com o outro lado da bochecha”. Quero dizer com a citação é que: estamos tão acostumados a receber qualquer um tão bem, por que isso é o natural, que ficamos perdidos quando chegamos em terras estrangeiras e isso não acontece.

Nosso povo, o Brasileiro mesmo, esse que tem PHD em falar mau da propria cultura, que prioriza valorizar algo internacional que o produto próprio, que se esquece das entiquetas no churrasquinho da lage: tem algo maravilhoso dentro de si que não se encontra em lugar nenhum e também não pode-se comprar. Nosso povo é caloroso, nosso povo é gentil, nosso povo é hospitaleiro por caridade.

Todas as vezes que leio algo como “vou me mudar pros estados unidos” ou “aff se fosse na Europa estava melhor”, por infra estrutura pode ser sim, mas ninguém vai te tratar tao bem quanto ai. Sou grata a Italia, ela me recebeu ate que bem, mas formar laços aqui é complicado e enquanto isso não ocorre eu sou só mais uma estrangeira perdida.

Esse foi so mais um dos meus desabafos, sinto saudades de casa.

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Gi, tem 22 outonos, fez as malas e foi morar sozinha em outro pais. Paulista, adora descobrir novos lugares em São Paulo e criar listas com o namorado (que mora no Brasil) vegetariana, apaixonada por tudo que é lúdico, exótico, doce e colorido.
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