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COMO ME SINTO

Em tempos de Coronavírus – Um desabafo

, por fialhogi

Vocês sabem, moro aqui na Itália a dois anos e meio, na região da Emilia Romagna, já passei por um pouco de tudo, até terremoto! Mas nada tão complexo quanto o Coronavírus! 

Até duas semanas atrás estava inconformada, me perguntava para que tanto alarmismo. Via pessoas esvaziando prateleiras em mercados e me perguntava da onde vinha esse pânico?

Esse pânico vem de uma realidade desconhecida, a realidade de quem cresceu ouvindo histórias quem sofreu consequências do terror das ruas na Guerra. 

E claro que no Brasil enfrentamos traumas parecidos, a pobreza e a insegurança são questões não resolvidas na nossa terra. E da mesma forma que muitas vezes me irrito com os italianos pela falta de empatia com outras realidades não posso negar que a gente desconhece o que é viver dentro de uma GUERRA MUNDIAL. 

E aqui não existe dor maior ou menor. Existe dor, empatia e lugar de fala. Logo eu Giovanna, so sei sobre ser empática. 

A maior parte da Itália é composta por idosos que ou passaram pelo trauma ou são filhos. O meu Babbo (Sauro meu padrasto) teve o pai sequestrado e mantido em cativeiro por muito tempo durante a Guerra. 

Por isso para mim foi muito estranho entender toda essa situação até que foi declarado QUARENTENA – Ninguém entra ninguém sai! 

Eu que escolhi estar alienada, eu que escolhi fazer piada tantas vezes senti vergonha. E no meio de tantos contágios, onde vidas viram números me veio o pânico. 

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Soa ridículo e incoerente, por ser muito sensível a desastres eu entendi que tinha que filtrar ao máximo toda informação, porque se não eu não consigo dormir, viver.

Quando morava em São Paulo tive diversas crises de pânico. Quanto mais eu lia sobre taxas de feminicídio, ou quantos casos de pedofilia e assédios, menos eu conseguia sair de casa. 

Entendi então que tenho um ritmo diferente, que pela minha saúde mental, às vezes eu vou simplesmente ignorar um assunto. 

A última vez que tive uma crise, foi em Junho do ano passado quando o dia virou noite em São Paulo, por conta das queimadas. Eu chorava descontroladamente no meu trabalho. 

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Eu vi o fim do mundo nos últimos dias. Meu maior medo é o fim do mundo. Não é a morte, a morte acontece em 2 segundos, mas o terror do fim do mundo. Eu tenho medo que a panela de pressão estoure, de ser zoada na frente de todos, de morrer afogada, mas nada se compara ao pavor que tenho do fim do mundo. 

Em algumas noites, acordo ansiosa na madrugada, jurando que na janela vai aparecer um zumbi. Quando me escutando falando isso, tenho raiva de mim mesma, a minha sensatez e a pouca consideração que tenho com você é posta em dúvida. 

Mas esse sentimento não é uma escolha! Meu coração acelera, eu fico sem ar e meu peito dói tanto que acho que vai explodir do meu peito. Por isso durante as duas primeiras semanas eu fiz graça de tudo, pra não dar espaço a ansiedade do terror. 

Infelizmente as coisas estão caminhando para uma pandemia. E isso me deixa angustiada. Mais ainda, quando quem deveria proteger e evitar que isso se repita no Brasil, acha que é uma folia! To falando do Bolsonaro mesmo! 

E claro que não devemos enfrentar a situação com pânico, devemos tomar as devidas precauções, e se for preciso para conter o contágio: a quarentena é uma delas!

Mas processar essa informação, o peso dela o que ela representa é de dar medo sim! E agora sinto que o que eu chamava de alarmismo continua sendo alarmismo, mas com um motivo justo e real.

Não há motivos para PÂNICO OU ALARME. Existe motivos para PREVENÇÃO! 

Quer dizer que vamos viver trancados em casa? Sim! Quarentena não é férias, é preciso ser prudente e responsável. Apenas farmácias, hospitais e mercados estarão abertos, que existe um controle de pessoas dentro desses espaços, 20 pessoas de cada vez.

Quer dizer que você vai ter que lavar mais suas mãos e priorizar a sua própria companhia, reinventar um café com os amigos via skype. Quer dizer que eventos esportivos, grandes feiras e escolas vão estar cancelados pelo menos até dia 3 de Abril.

É preciso muita consciência nesse momento, porque os hospitais não tem infraestrutura para isso, as redes de telefones estão bloqueadas de tantas chamadas (e isso é um perigo, porque acidentes continuam acontecer!).

Eu não sei como serão as coisas amanhã, e isso também me assusta. Não é uma gripe comum, não existe receita medica para curar esse vírus, por isso tamanha preocupação!

A situação é crítica mas não podemos nos descontrolar. Evitemos ao máximo sair de casa, somos também responsáveis por isso. Afinal não é porque a minha imunidade é maior que a devo sair por aí espalhando. Porque quando um vírus desse tem a taxa de  mortalidade baixa e a taxa de contágio alta é um motivo maior para sermos cuidadosos. 

Fiz um destaque no instagram compartilhando informações mais específicas. 

Mas já que estamos nessa situação vamos ao menos ver o lado bom, agora tenho tempo suficiente para programar os posts do Caos, organizar o conteúdo da minha empresa, colocar as séries em dia, ler todos os livros que tinha deixado para amanhã, manter o skincare e até aprender uma nova receita. 

Sem pânico com prudência e muita prevenção!

    1 comentário

    Gi Fialho

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