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Rainha da moda – Livro Maria Antonieta

, por fialhogi

Rainha da moda é um dos meus livros favoritos, ele aborda o impacto da história de Maria Antonieta em nossas vestimentas.

E importante lembrar que normalmente a historia é contada através de uma visão masculina. E mais fácil criar boatos e destruir a imagem publica de uma mulher, assim ela perde força politica. O famoso slut shaming.

O livro conta como desde muito nova tudo em sua vida foi orquestrado para uma futura negociação politica. Quando finalmente o acordo entre Austria seu pais de origem e França foi finalizado com um futuro matrimonio com Luis Augusto, ela ainda tinha 13 anos.

Rainha da moda - Livro Maria Antonieta

O rei sol, Luis XV mandou um pintor de sua confiança para pinta-la de forma fiel e depois enviar o retrato para Luiz, pensando em futuras modificas.

Como arrancar seus dentes que eram levemente tortos e colar novos feitos de gesso. Ou picar seus lábios superiores com o ferrão de abelha para que ficassem simétricos ao seus de baixo, viveu uma calvice precoce por conta de seus belos e volumosos cachos que deviam ser escondidos por trás da orelha com força.

Um cabeleireiro Frances foi enviado para “resolver” o problema e se inspirando em uma antiga amante de Luiz, criou o penteado icônico que foi tomou força e foi reproduzido pela corte. Essa foi a primeira vez que a futura rainha lançou uma moda.

Maria Antonieta muito nova foi modelada para ser a mulher perfeita, em um acordo politico, a ideia era que a beleza então criada, fizesse com que seu neto, futuro rei da França, se tornasse homem.

Ou seja ela era apenas uma ferramenta, para desenvolver um homem. Ela que cresceu livre, de um tempo para outro com 14 anos tinha que se tornar Elegante e Glamurosa.

Não pretendo transformar esse post em um resumo do livro, mas quero compartilhar como a moda foi importante para Maria Antonieta expressar-se de forma politica, para dizer o que pensava e queria. A frente do seu tempo ela sempre foi ousada e destemida.

Na época de Maria Antonieta, reinava o estilo conhecido como Rococó, onde as mulheres usavam vestidos exuberantes, com armações que os mantinha volumosos, ricos em rendas e babados e sempre enfeitados com fitas ou estampas de flores.

Rainha da moda - Livro Maria Antonieta

Para Maria Antonieta, a moda não se resumiu apenas em roupas luxuosas e tendências da época, e, sim, numa forma de comunicação, um meio de expressar sensações, sentimentos, indignações e, principalmente, protestar contra o que ela julgava errado.

Logo cedo a rainha entendeu que seu corpo não estava sob seu controle, que até suas roupas eram tiradas contra sua vontade. Esse post não é sobre Luís Augusto e Maria Antonietta, mas sob o controle que a corte tinha sob Maria.

Sua mãe culpava-a pelo casamento não ter sido consumado logo de cara, dizia que ela deveria ser submissa, dócil e agradável. O dever de uma esposa era agradar e obedecer seu homem. Mas ela, não era assim.

Com medo de perder o respeito e apreço que o rei tinha por ela, tomou a decisão de usar a moda pra expressar sua classe e função social, de forma criativa e cheia de ostentação. Identificando sua posição real.

Usou da maquiagem e e das cores para sobressair, o espartilho tornou-se então símbolo da mulher das corte como um grupo dominante, um corpo perfeitamente delineado revelava as normas de rigidez e auto-controle.

Mais uma vez, a escolha (feita por homens) dificultava seus movimentos e respiração. Essa era uma forma de controle. Por uma conspiração ou não, ela resolveu que não ia mais usar o espartilho e dedicou-se a buscar outras formas de enriquecer sua imagem.

Maria Antonieta foi a primeira mulher a praticar montaria inovando os trajes, transformando as longas saias em calças justas e franzidas na parte da cintura. Sua ousadia soou como uma afronta, já que a equitação era uma prática única masculina.

A ideia era associar sua postura na equitação e seus novos trajes em algo mais próximo aos antigos reis, viris e poderosos, transformando sua imagem de delicada, em algo que emposse mais respeito.

Com apenas 20 anos, Luís Augusto tornou-se rei, e Maria Antonieta estava ali assistindo a coroação, ela foi a primeira desde Catarina di Medicis em 1547. Vestiu uma roupa coberta de safiras e bordados pomposos, que para aquela época era moderno, tornando-se a Rainha da moda.

Rainha da moda - Livro Maria Antonieta

Mesmo tentando seu marido a deixava longe quando o assunto era politica e para piorar estava rodeado de anti-austriacos. Irritada, Maria Antonieta deu inicio as tradicionais festas mascaras, que aconteciam duas vezes por semana no Palácio de Versalhes.

Pela primeira vez a rainha dominava e deslumbrava a corte usando a ostentação como distração, mostrando que dominava os cofres. Maria Antonieta criou uma imagem maior que o rei, apoiava-se na moda para influenciar o comportamento por toda Paris.

Foi assim que ela adotou o penteado excêntrico (Pouf) com as vezes até 90cm de altura. Parte do Reino e Europa seguia atentamente tudo que ela fazia, para então copiar. Maria Antonieta disseminava tendencias toda semana.

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A França passava por um momento financeiro delicado, mas enquanto os jovens reis e monarcas podiam ostentar em seus trajes e costumes, porque isso representava a grandeza do pais, Maria Antonieta que fazia o mesmo era taxada de narcisista. O famoso dois pesos e duas medidas.

Sua imagem começou a ser destruída, em charges sexualizadas, misoginas e machistas que sempre a colocavam em um papel obsceno cheios de promiscuidade.

Quando mudou-se para o pequeno palacete Petit Trianon, adotou um estilo simples de vestimenta de algodão ou linho chamado Gaules. Naquele momento e ali, quem mandava era ela e não mais o homem.

Aos poucos Maria Antonieta vai perdendo sua vaidade, não por conta de criticas externas, mas pela maturidade que já tinha, usando trajes simples como símbolo de liberação da etiqueta da corte. Depois da quarta gravidez seu corpo não era mais o mesmo e toda corte fazia questão de lembrar.

Rainha da moda - Livro Maria Antonieta

No momento da revolução Francesa, Maria Antonieta a rainha da moda, novamente mudou seu visual de camponesa para novamente um look majestoso e luxuoso, clássico reafirmando seu posicionamento na corte.

Seu antigo visual foi ressignificado pelas mulheres da corte, os vestidos simples tornaram-se como símbolo de virtude sem apego a ostentação. Cheias de desprezo como se aquela veste também as fizessem maior, transcendendo e evoluindo por não ter apego a coisas materiais.

Com o falimento da corte, o reinado de Luís Augusto teve seu fim, permaneceu até o dia de seu julgamento usando um vestido preto, simbolo de luto mas também de rebeldia, já que o mesmo traje havia sido proibido.

No dia 15 de Outubro 1793, Maria Antonieta foi julgada pelos seus crimes a contra a França, e ali ao invés de provas robustas, foi acusada com base em boatos.

No dia 16 de Outubro foi culpada e como instigadora de futuras rebeliões dado seu poder de influencia. Com um vestido branco simples, sem esplendor algum, mostrou como a moda podia ainda dizer muito.

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Depois de decapitada, homens começaram a distribuir para suas mulheres e amantes fitas vermelhas, as famosas gargantilhas, como forma de lembrete (o sangue no pescoço de Maria Antonieta) que o luxo extremo podia te matar.

Maria Antonieta foi uma mulher forte, muito além do seu tempo, que era constantemente calada por uma sociedade machista e usou de seus trajes para se expressar. Não quer dizer que não errou, mas quanto mulher o quanto isso ainda se perpetua?

Ganhei esse livro no dia dos namorados do Erik e devorei em alguns dias, conforme eu lia, uma revolta interna surgia. A imagem de Maria Antonieta é de uma mulher desequilibrada e consumista, mas tudo isso era apenas uma válvula de escape para problemas muito maiores.

Só espero um dia poder tomar um chá no Petit Trianon, sabendo o quanto ela foi uma mulher incrivelmente inspiradora.

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    Gi Fialho

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